Por que é tão importante estudar a História das Mulheres no Brasil?

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Por que é necessário o estudo da História das Mulheres e da Relação de Gêneros dentro da sala de aula?

Assim como outros temas transversais são importantes para a formação do aluno como cidadão, a História das Mulheres no Brasil é capaz de abrir novos horizontes para a compreensão do feminino e do masculino dentro da sociedade contemporânea.

De acordo com s Parâmetros Curriculares Nacionais, é necessário:

Incluir nas diretrizes curriculares dos cursos de formação de docentes temas relacionados às problemáticas tratadas nos temas transversais, especialmente no que se refere à abordagem tais como: gênero, educação sexual, ética (justiça, diálogo, respeito mútuo, solidariedade e tolerância), pluralidade cultural, meio ambiente, saúde e temas locais.(PCN, 1997)

Com este tema, é possível desconstruir pré-conceitos, mitos e lendas sobre o papel da mulher na sociedade.

Qual o caminho percorrido pelas brasileiras até os dias de hoje? Quem foram essas mulheres que ajudaram a construir o país? Quem é a mulher do mundo contemporâneo e quais suas vantagens e desvantagens em relação à mulher do passado? A construção patriarcal ainda afeta o cotidiano feminino? Qual o papel do homem na sociedade contemporânea? O que é ser feminino e masculino?

Com as respostas a essas questões, é possível perceber o papel da mulher na sociedade, suas transformações e conquistas e, ao mesmo tempo, a crise do homem moderno. Não é possível redefinir o papel da mulher sem redefinir o papel do homem.

As mulheres estiveram presentes na História do Brasil, assim como em outros países do mundo ocidental, sempre a sombra de seus pais, maridos e irmãos. Colonizado por uma sociedade patriarcal, o Brasil se desenvolveu através de conceitos ambíguos, ora pelo puritanismo exigido pela religião, ora pelo desejo “incontrolável” dos homens. Entre o público e o privado, a cultura do Brasil foi construída sobre pilares controversos. As mulheres passaram de senhoras do lar submissas a chefes de família. O último censo revelou que 37% das famílias brasileiras são chefiadas por mulheres (IPEA, 2010), porém na população setecentista de Vila Rica (atual Ouro Preto) 45% de famílias já eram dirigidas por mulheres. (Mello e Souza, 1986)

Para entender as relações de gênero, é preciso compreender os termos criados pelas sociedades patriarcais através dos tempos. “Feminino” e “masculino”, filosoficamente, compreendem respectivamente, a ideia de frágil e forte, delicado e preciso. O poder é forte, preciso, dominante, por isso é masculino. Assim, às mulheres foi determinado o “oikos”, o “domus”, o lar. Aos homens, a pólis, a esfera pública, o mundo das ideias. O poder sempre esteve para o homem assim como a lar estava para a mulher.

Durante séculos a mulher desempenhou o papel delegado pelos homens, se mantendo em silêncio e aceitando sua condição de inferioridade como algo natural.

A partir da década de 50, os médicos começaram a querer entender a mulher e se voltaram para a saúde feminina e, consequentemente, elas começaram a se preocupar com o corpo, com exercícios físicos e com a autoestima.

A partir da revolução feminina da década de 60, a mulher conquistou o mercado de trabalho e o casamento deixou de ser profissão. Na década de 80, no Brasil, com a democratização do anticoncepcional, a mulher passa a ter, além da independência financeira, o controle do corpo e da sexualidade.

As mulheres, com todas as revoluções e conquistas, chegaram ao século 21, inseridas na sociedade, com independência econômica e sexual, mas com marcas do passado e novos desafio. A submissão ao homem foi substituída pela submissão ao espelho, à mídia, à imagem. A beleza e o individualismo passam a ser os novos modelos de vida. As próprias mulheres, independentes e liberais, impõem às suas filhas ideais que excluem as mulheres do trabalho produtivo, com despesas desnecessárias e opulentas, em um mundo cor-de-rosa e ilusório.

Para os homens, as transformações sociais também trouxeram novos desafios. O que é ser homem no século 21? Ao contrário do que foi pregado por vários séculos, o homem já não é visto como superior ao sexo frágil. São gêneros iguais e, por isso, ser forte e dominador já não cabem a sua construção. O chefe da sociedade conjugal e provedor do sustento agora divide o trabalho com sua parceira, e não mais sua colaboradora (Código Civil, 1916). O homem forte, guerreiro e caçador, já não necessita da força em batalhas físicas em busca da comida ou da vitoria contra o inimigo. O homem passa a recorrer a cirurgias estéticas, academias e tratamentos de beleza e sente as pressões da paternidade.

Vários mitos ainda existem enraizados na mente brasileira: se o homem não tem amantes ou não “pega todas”, não é considerado macho. Se a mulher não é casada é porque tem algum “defeito”.

As brasileiras vivem em uma falsa ideia de independência e alimentam o machismo dentro de casa. Fora de casa, independentes e liberais, mas em casa não conseguem lidar com a sensibilidade, vista como fraqueza, masculina. (Pondré, 2009)

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