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As mulheres neste período podem ser estudadas a partir de seus grupos sociais e de suas individualidades. Os sermões, inclusive, eram dirigidos dependendo da condição de cada grupo: virgens, senhoras, viúvas, meninas, etc. Individualmente, existiram mulheres que se tornaram ícones do período medieval, como Joana D’Arc, Hildegarda Von Bingen, Herrade de Landsberg e Cristina de Pisan, entre outras. Já os grupos de mulheres se dividiram entre senhoras, camponesas, artesãs, domésticas, negociantes, além das hereges e bruxas.

CAMPONESAS

Embora os registros sejam escassos, sobre as camponesas sabemos que trabalhavam lado a lado com seus maridos nas plantações, colheitas, pesca, ordenhando vacas e tosquiando carneiros. Existiam camponesas dependentes que além do trabalho junto aos seus companheiros, prestavam serviços ao senhor da terra, confeccionando roupas, fabricando pentes, sabão, cosméticos, etc. Os moinhos também eram mantidos com a força feminina até o final da Idade Média.

Camponesa

SENHORAS

As senhoras administravam o vasto trabalho doméstico executado por camponesas, servas e escravas e inúmeras vezes substituíram seus maridos na administração das terras, execução de testamento (no caso de morte) e defesa da propriedade com o uso de armas, inclusive. Entre 1152 e 1284, na França, existiram 279 proprietários de terra, onde 58 eram mulheres.

Senhora

DOMÉSTICAS

As domésticas eram contratadas através de um contrato de locação de serviço e transformadas em servas quando precisavam quitar dívidas próprias ou da família. Eram acompanhantes, assistentes e cuidavam dos filhos do senhor. As escravas, de origem oriental ou pertencentes a periferia européia, eram tratadas como mercadoria e ficavam, assim como todas as domésticas, sob o domínio, orientação e condução das senhoras.

Domésticas e escravas ao lado da Senhora

ARTESÃS

As artesãs trabalhavam em oficinas artesanais ajudando seus pais ou maridos. O mestre da oficina orientava os meninos, enquanto a esposa supervisionava as meninas. As mulheres artesãs executaram serviços em diversos ramos, como no acabamento de peças de seda, lã e chapéus, na metalurgia, construção civil e alimentação. Foram cervejeiras, barbeiras, açougueiras e boticárias, contribuindo para a manutenção do comércio durante este período. No final da idade média, as restrições quanto ao trabalho da mulher começou a aumentar. Em 1688, “De acordo com o regulamento, nenhuma pessoa do sexo feminino pode exercer um ofício, mesmo que o compreenda tão bem como alguém do sexo masculino.” (BEIER, 1688 apud MACEDO, 2002. p. 42).

Artesã observa o trabalho do marido

 NEGOCIANTES

As mulheres negociantes ajudavam, substituíam e davam continuidade ao trabalho dos pais ou maridos. Em 1274, alguns dos mais expressivos negociantes do reino eram viúvas londrinas. Entre suas negociações estavam aplicações em embarcações, comércio com a coroa e financiamento de guerras.

Negociantes

HEREGES E BRUXAS

As hereges eram mulheres que tinham interpretações diferentes da bíblia e consideradas rebeldes pela dissidência e inconformismo social e político. Geralmente, eram dotadas de grande espiritualidade e contra o enriquecimento, a corrupção a os princípios eclesiásticos. Formavam grupos onde podiam pregar a palavra de Deus e viviam longe dos prazeres da carne e da riqueza. Como a Igreja não permitia mulheres no ministério da pregação, as hereges tinham sua elevação espiritual através desses grupos, se igualando aos homens nos serviços espirituais. Para elas, o sacramento do casamento foi um erro da Igreja, já que o sexo, independente do matrimonio, afastava de Deus.

Outro grupo muito conhecido eram as feiticeiras. Praticavam a arte das adivinhações, sortilégios, usavam amuletos protetores, feitiços para relações amorosas, confecção de unguentos e poções mágicas, praticavam curas sem o uso da medicina oficial, se comunicavam com os mortos, benziam, entre outras atividades. Sempre estiveram presentes na história da humanidade, mas a partir do século XIII, durante uma crise religiosa, política, econômica, social e moral da sociedade, a sua imagem começou a mudar. O medo crescente do diabo coloca a bruxa como uma de suas representações. O inimigo visível começa a ser, então, perseguido. A caça as bruxas tem seu auge durante o Renascimento, após o período medieval.

Hereges

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